Assim que Helena apareceu à sua porta logo mais à noite, Ana entendeu que a loira não estava bem. E sabia que a conversa com João não tinha sido boa.
Helena cruzou a sala do apartamento de Ana e atirou-se no sofá.
- Não consegui terminar, Ana. Ele chorou, eu chorei... Foi tão difícil!
Ana aproximou-se e sentou-se no sofá ao lado de Helena. A loira, então, moveu a cabeça para o colo da morena.
Ana puxou-lhe o corpo para cima e ajeitou-lhe a cabeça no próprio peito. Descansou as mãos sobre o abdômen de Helena. Assim ficaram por alguns minutos, ouvindo o silêncio, sentindo a respiração – agora sincronizada – uma da outra. Ninguém disse nada.
Ficar assim tão próxima de Ana fez um bem danado à loira. Foi dando-lhe a perspectiva que precisava. Foi se acalmando.
Então Ana perguntou baixinho:
- Você acredita em amor à primeira vista?
- Não sei... – Helena sorriu. – Se isso existe, definitivamente não foi o nosso caso.
- Hmmm... Acho que não concordo com você nessa...
- Como assim, Ana? – disse virando-se para Ana. - Nossa história está mais pra ódio à primeira vista do que qualquer outra coisa.
- Hmmm... Eu não vejo assim.
- Então como você explica eu pulando no seu pescoço depois de dois minutos de conversa? - Helena ajeitou-se novamente sobre o peito da morena.
- Você decidiu que me odiava antes de me conhecer. Não foi uma reação a mim. Foi uma reação ao que você ouviu ao meu respeito.
- É verdade...
- Sua reação, na verdade, veio depois... quando decidiu me procurar e ser minha amiga.
Ana encarou a loira e disse:
- Eu acho que quando você encontra o amor da sua vida, inconscientemente, percebe que aquela pessoa vai ter um papel enorme na sua vida. E isso acontece logo de cara.
- Não sei, Ana... você não teve uma impressão muito boa a meu respeito...
- Você quer dizer antes ou depois de você voar no meu pescoço? – Ana perguntou rindo.
- Antes – Helena também ria.
- Sei... Você está se referindo àquele momento em que você me chamou de vadia? – Ana cutucou a loira.
- Ana! – Helena deu um pulo. – Você sabe que eu morro de cócegas.
A morena continuou a deslizar as mãos pelos lados do corpo de Helena.
- Eu sei... – e continuou a mover a mão. Agora por baixo da blusa. – Mas não acho que é cócegas o que tá sentindo agora...
- Ana...
Ana virou o rosto de Helena para si e a beijou. As mãos continuaram a correr por baixo da blusa da jornalista, agora tocando-lhe os seios. Helena logo virou o corpo e posicionou-se sobre Ana no sofá. O beijo foi ficando mais profundo, mais molhado e sensual.
- Hmmm... senti tanto a sua falta...
- Eu também, Ana – e começou a despir a morena.
*****
Uma hora mais tarde estavam no quarto.
- Então... como eu tava dizendo, loira... Eu acho que naqueles nossos primeiros encontros, bem lá no fundo, eu já entendi que você teria um papel enorme na minha vida. Mas achei que seria como amiga. Não consegui entender que você seria a pessoa com quem eu gostaria de dividir a minha vida.
Helena ouvia atentamente. Ana continuou:
- É claro, o fato de a gente estar procurando essa pessoa no outro sexo não ajudou muito.
- Você quer dizer que acha que alguma coisa aconteceu no minuto em que nós nos encontramos?
- É. Eu acho que sim. Mas nós não entendemos isso.
Virou a loira para si e disse tocando-lhe o rosto:
- Estou tentando te dizer que acho que nossa historia começou há muito tempo, mesmo quando nenhuma de nós entendia o que estava acontecendo.
Olhou bem nos olhos da loira e disse:
- E se eu esperei dez anos pra descobrir que você é a pessoa com quem eu quero passar o resto da minha vida, posso esperar um pouco mais até você resolver as coisas com João.