22 dezembro 2006

Capítulo XLI

Helena deixou-a ir. Resistiu ao impulso de ir atrás, de abraçá-la, de pedir que lhe perdoasse e de dizer-lhe o quanto a amava. Sabia que estava magoando profundamente Ana. [Seu plano está funcionando.]

A campainha tocou. Era Duda.
Helena a recebeu e as duas juntaram-se à Ana na sala.
- Oi Ana! – cumprimentou a morena com um beijo no rosto – vim ver como você está. Você parece muito melhor.
- Estou mesmo, Duda. Minha aparência já não põe os outros pra correr. – disse tentando sorrir. [Pra compensar o fato de que estou desmoronando por dentro.]
- Quando é que volta pra casa? – Duda quis saber.
- Não sei. Não querem me deixar sair daqui tão cedo.
- Você ainda precisa de ajuda pra fazer as coisas, Ana – disse Helena. – Não pode ficar sozinha ainda. – olhou para Duda – Leonora e Artur querem que ela fique por mais tempo.
[Não quero conversar civilizadamente com você, Helena. Estou com raiva e se pudesse te deixaria falando sozinha aqui.]
- Mas assim que puder, volto pra casa – disse a morena olhando para Duda.
- Ela vai voltar quando estiver boa, Duda – disse Helena.
Aquilo irritou Ana.
- Você sabia que essa sua mania de mandar na minha vida é extremamente irritante às vezes? – Ana não conseguiu se controlar.
- Eu sei. – disse Helena – Mas o que eu posso fazer se eu sei o que é melhor pra você?
- Isso é pretensão demais numa pessoa só – Ana estava se segurando.
- Não entendo por que tanta pressa em querer sair daqui – disse Helena.
- Tem muita coisa que eu não entendo. – o sangue de Ana estava fervendo. – A atitude de algumas pessoas, por exemplo. – Virou-se para Duda:
- O que você acha, Duda? Alguém decide acordar um dia e agir de um modo completamente diferente com você? Como se tivesse sofrido lavagem cerebral.
Duda ensaiou uma resposta, mas Helena resolveu responder:
- Algumas pessoas não lidam muito bem com estresse, ok? [Que resposta idiota, Helena. Você bem que podia ter se saído melhor que isso.]
- Estresse? – perguntou Ana. – Quase me quebraram no meio de tanta pancada e você está sob estresse?
- Não estou dizendo que não foi estressante pra você... – tentou explicar Helena – estou apenas dizendo que foi difícil pra mim também. [Meu Deus, não convenço nem a mim mesma com o que estou dizendo.]
- E isso explica seu comportamento? – a voz de Ana já estava alterada.
- Eu sou a mesma pessoa. – Helena disse. – Apenas estou cansada.
- Eu já te falei que cansaço não explica o que você está fazendo – retrucou Ana. – Quando é que vai parar de mentir pra mim, Helena?
Duda se encheu da discussão.
- Vocês duas querem parar de agir como se eu não estivesse aqui e me contar o que está acontecendo? – disse em voz alta.
As duas se calaram. Ana tinha a cara fechada. Estava brava com Helena, magoada com ela, confusa com sua atitude. Queria que as coisas voltassem à paixão do dia anterior.
Helena, por sua vez, estava frustrada. Não queria estar fazendo o que estava fazendo com Ana. Queria tomá-la nos braços e expressar todo o amor e paixão que sentia. Mas não podia. Não via outro caminho.
Resolveu explicar a Duda que simplesmente tinham se desentendido. [Como se ninguém tivesse notado.] Mas antes que pudesse dizer alguma coisa, a campainha tocou de novo.

Helena levantou-se e foi abrir a porta. Era João. [Pronto. Agora sim isso vai ficar interessante.]