- Ei... calma, Ana! – disse Helena, surpresa com a reação – Só fiquei preocupada e vim ver onde você estava.
- Eu sei me cuidar. – disse Ana. – Por que essa obsessão em cuidar da minha vida?
Helena chateou-se com o jeito de falar da morena.
- O que você queria que eu pensasse? – respondeu – Quase te mataram há pouco mais de um mês e de repente você some! Imaginei o pior...
Ana sentiu-se mal com o que tinha dito. Tinha sido rude. E tudo porque estava chateada com a loira, porque não conseguia parar de rever a imagem do beijo dela em Aline.
Fechou os olhos e respirou fundo. Então encarou a loira.
- Por favor me diga o que quer de mim. [Não agüento mais esse seu jogo comigo.]
- Só fiquei preocupada porque você sumiu.
- Você sabe que eu não estou falando disso, Helena.
Helena deu um suspiro.
- Eu estou cansada... – disse Ana. – Você... você drena minhas energias.
Helena nada disse, então Ana continuou:
- Uma hora você me puxa pra perto e me faz pensar que me ama como eu te amo. – Ana conversava calmamente. – Outra hora você me trata como se eu fosse mais uma naquela lista de caras que você descartou.
Ainda tinha os olhos fixos na loira.
- Você me tratou do jeito que sempre tratou todos os homens com quem se envolveu, Helena.
Helena continuava calada.
- Sabe o que eu acho mais cruel? – Ana perguntou com um sorriso. – Você foi mais honesta com eles.
- Ana... – Helena tentou explicar.
- É verdade! – a morena tinha um sorriso amargo. – Pelo menos pra eles você nunca deu esperança nenhuma. Nunca falou de amor com nenhum deles.
Olhou Helena nos olhos e disse:
- Sabe de uma coisa? Parei com você, Helena. – o tom de voz ainda era calmo.
Ficaram em silêncio por alguns segundos. Helena não tinha certeza do que tinha levado a morena a tomar uma decisão. Estava tentando entender. Por outro lado, não tinha argumentos contra o que ela lhe dizia.
Ana aproximou-se da loira. Helena podia sentir o calor do corpo dela. Ana, ainda olhando nos olhos dela, pegou-lhe uma das mãos. Abriu a palma, colocou alguma coisa dentro dela e fechou de novo. Então, ainda envolvendo a mão dela com a sua própria, disse:
- Não quero mais brincar disso.
Saiu deixando Helena ali em pé entre os túmulos.
Helena já sabia o que havia em sua mão. Abriu os dedos e olhou: era o anel que tinha dado à Ana.
*****
De volta à casa dos Chagas, Ana sentou-se ao computador e calmamente redigiu uma resposta ao e-mail da universidade americana. Depois de alguns minutos trabalhando no texto, enviou sua resposta.