Helena nem mesmo tentou se levantar. Quando viu que alguém entrava na sala apenas levantou a cabeça para ver quem era.
- Oi Duda bicuda – disse, achando muita graça do próprio comentário.
Ana respirou aliviada.
A psicóloga entrou na sala e, ao ver as duas deitadas no sofá, balançou a cabeça negativamente.
- Interrompi alguma coisa? – perguntou rindo.
- Que susto você me deu, Duda! – Ana disse com o coração ainda acelerado.
Duda parecia achar muita graça da situação, não parava de rir. Na verdade, ria da cara de pânico de Ana.
- Sorte sua que eu tive um pressentimento e vim antes. – disse – Leonora está te procurando, Ana.
Helena também ria. Só Ana não achava muita graça. Conseguiu sair de debaixo da loira e ajeitou-a no sofá.
Helena de olhos fechados, puxou a morena para si mais uma vez e começou a beijá-la.
- Eu te amo, Ana – dizia com a língua enrolada.
A morena conseguiu desvencilhar-se dela e foi atrás de Duda para ver o que queria Leonora.
*****
- Ana! Preciso que me ajude – Leonora estava aliviada ao vê-la – Lembra-se daquele lugar em fomos juntas outro dia?
Vamos precisar de mais bebida e você é uma das poucas que sabe o endereço. Além disso quase ninguém está sóbrio o suficiente para dirigir. Por favor, pedi a Flávio e Júnior para irem com você, pode ir pra mim? Use meu carro.
- Claro, Leonora – Ana disse.
Pegou as chaves do carro de Leonora e saiu com os dois rapazes.
*****
Helena tinha caído no sono e acordou depois de algum tempo. Olhou à sua volta e nada da morena. Voltou à beira da piscina. Havia menos pessoas por ali, mas a festa parecia estar bem longe do fim.
A loira não queria ficar sóbria. [Vou me sentir um lixo depois, mas dane-se.] Sentou-se por ali e ficou sozinha, observando as pessoas à sua volta e bebendo cerveja. Procurou mais bebida e só encontrou uísque. Pegou um copo e voltou para dentro da casa. Na entrada da cozinha, deu um encontrão em Aline que saía da cozinha.
*****
Ana, Flávio e Júnior voltaram depois de quase duas horas. Os rapazes carregaram a bebida para a cozinha, enquanto Ana estacionava o carro.
Ana, então, foi atrás de Helena.
*****
- Ei garota! – Helena riu ao ver Aline. Tudo era engraçado. – A gente tem que parar de se encontrar desse jeito.
A garota achou divertido ver Helena totalmente bêbada. A loira falava enrolado e mal conseguia ficar em pé. [Ainda assim ela é adorável.]
Helena pegou numa das mãos de Aline. A garota sentiu uma onda de calor invadir seu corpo. Também tinha tido sua dose extra de álcool e sentia-se leve e alegre.
- Vem cá... conversa comigo – Helena disse puxando-a de volta para dentro da casa – Me faz rir um pouco que eu tô precisando.
Algo dizia a Aline que o melhor a fazer era deixá-la só. Mas simplesmente não conseguia afastar-se dela.
No caminho em direção à sala, Helena foi tropeçando e errando portas. Colocou o braço em volta de Aline e apoiou-se nela para andar. As duas atravessaram o corredor rindo o tempo todo.
Aline não estava tão bêbada quanto a loira e ajudou-a a deitar-se no sofá, onde Helena ficou de olhos fechados.
A garota ficou ali em pé olhando-a dormir.
A loira tinha um semblante carregado, parecia inquieta. [Mas acho que agora ela vai dormir.] Aline resolveu sair de fininho.
Helena então, de olhos fechados, disse:
- Ana...
Aline ficou surpresa. [Acho que nem sabe quem está aqui.]
Helena ficou em silêncio. Parecia ter voltado a dormir.
Aline chegou o rosto mais perto dela e perguntou baixinho:
- Helena?
A porta que dava para o corredor estava entreaberta. Foi nesse momento que Ana chegou de mansinho procurando pela loira.
E foi assim que viu Helena, ainda deitada no sofá, puxar Aline para si e beijá-la apaixonadamente.