Pôs a mão na nuca de Ana, puxou-a para si e a beijou. Deixou-se invadir pela sensação maravilhosa do toque dos lábios de Ana nos seus. Ainda chorava. A intensidade dos sentimentos era demais.
Esse beijo nada tinha da intenção do primeiro. Não era uma brincadeira ou experimento. Tinha um quê de desespero. E o desejo – contido por tanto tempo – explodiu com certa violência.
Ana fechou os olhos. Esqueceu-se que havia mundo. Estava sendo beijada pela mulher que tanto desejava. Não sentiu mais o chão sob seus pés. Flutuava. Agora, só havia Helena em seu mundo.
A língua de Helena entrava-lhe a boca, explorando, sentindo o gosto, procurando pela sua língua. A loira abriu a boca um pouco mais, convidando a língua de Ana. Quando sentiu a língua da morena entre seus lábios, tomou-a para si, chupando-a, saboreando-lhe o gosto e sentindo a textura. Impossível expressar em palavras todo o prazer que lhe causava.
Helena moveu o corpo pra cima de Ana, seus seios tocando os dela. Queria sentir o corpo da amiga com as mãos, com as pernas, com o tronco, com o corpo todo. As mãos, moveu-as das costas para a cintura, onde ficaram, trazendo a morena para si. Abriu as pernas de Ana com uma das suas e a deslizou entre as coxas de Ana.
Ana gemeu. A perna de Helena lhe estimulava o centro e estava a ponto de explodir de prazer. Tinha as mãos nos cabelos da loira. Os braços desceram e descansaram nos ombros, onde se fecharam num abraço atrás da nuca da outra.
Sofreguidão foi dando lugar a mais volúpia. Agora, ambas gemiam, tão excitadas que estavam. A respiração alterada, o coração batendo forte no peito, o calor que tomou conta dos dois corpos. Roupas passaram a ser um empecilho. Queriam se tocar sob camisas e calças.
Sem interromper o beijo, Helena alcançou o zíper da calça de Ana. A morena imediatamente parou-lhe o gesto com as duas mãos, interrompendo o beijo pela primeira vez. Helena ficou surpresa. Olhou para a amiga e já ia desculpar-se quando Ana pôs as mãos na blusinha da loira e num gesto rápido, ajudou-a a puxá-la para cima. Helena ficou apenas de sutiã. Ana, então, tirou a própria camiseta e ficou nua da cintura pra cima.
Helena ficou imobilizada com o que via. Abriu a boca – agora seca – e fixou os olhos no tronco da morena. Não conseguia tirar os olhos dos ombros largos, da pele macia e lisa, dos seios perfeitos de Ana. A morena, embora tão excitada quanto Helena, tinha mais controle da situação: aproximou-se da jornalista e, num movimento rápido ao abraçá-la, soltou-lhe o sutiã. Chegou sua boca na boca de Helena e lambeu-lhe os lábios. Estava enlouquecendo a loira. Helena respondeu puxando-a para si, tocando-lhe os seios com os seus próprios. Voltou a beijá-la. As línguas tinham uma dança própria.
As mãos de Ana agora deslizavam pelas costas da loira, ainda estava admirada com a maciez da pele. As mãos de Helena foram parar nos seios de Ana, causando-lhe novas ondas de prazer. A morena começou, então, delicadamente, a movê-la em direção ao seu quarto.
*****
Ainda se beijavam quando entraram no quarto. Sem separar os lábios, Ana guiou Helena para a cama. A loira deitou-se e Ana terminou de despi-la, um ritual que deixou a loira ainda mais excitada; podia sentir o quanto estava ficando molhada com o jeito que Ana removia cada peça de roupa. Queria sentir aquele corpo que achava tão espetacular, nu, pesando sobre o seu. E Ana não lhe negou nada: livrou-se da própria roupa e deslizou o corpo por sobre Helena.
A sensação do abraço dos corpos nus era maravilhosa. A maciez da pele sob o toque das mãos e do corpo surpreendeu a ambas. A esta altura, ainda tentavam entender o que estava acontecendo e o fato de que seu objeto de desejo era uma mulher, tornava tudo tão mais novo e fantástico. Nenhuma das duas estivera com uma mulher antes.
Olharam-se demoradamente.
- Você é linda. – Ana disse.
- Não – Helena respondeu num suspiro. – Você é.
O contraste do tom de pele dos dois corpos era realçado pela luz do quarto àquela hora da tarde. As formas delicadas e cheias de curvas, tão diferentes da robustez com que estavam acostumadas.
Tocaram-se. A textura da pele era outra, sem rugosidade, aveludada até. O toque das mãos era gentil, sem a força habitual, os gestos delicados. A ausência de pelos no rosto e peito. Os músculos das pernas, braços, costas – presentes – mas sem aparecer tanto. Os seios! Como tinham conseguido ficar sem essa parte? Estavam fascinadas pelos seios uma da outra.
Mas a breve pausa no beijo já fazia Ana sentir falta da língua de Helena. Colou sua boca à dela outra vez. Isso também era diferente: o jeito demorado, sem pressa de beijar a boca, explorando cada trecho. Os cabelos negros caíam por sobre os ombros da loira e roçavam o seu rosto. Ana foi beijando-lhe os lábios, o queixo, o pescoço, a orelha. O cheiro da pele de Helena a incendiava por dentro. Foi descendo os lábios pelo colo de Helena até os seios. Tomou um dos mamilos nos lábios e uma das mãos tocou o outro. Helena movia-se sob ela, se contorcendo de prazer. Moveu a língua sobre o bico duro, arrepiado de tesão, chupava-o, lambia, adorando-o. Mudou de mamilo e dispensou a mesma atenção e cuidado ao outro seio. Helena arfava, respirando com dificuldade.
Voltou a beijar a boca da loira ao mesmo tempo em que lhe abriu as pernas com as próprias, posicionando-se entre elas, mas sem tocar-lhe o sexo. Ana continuou a beijá-la. Helena adorou sentir-lhe o peso sobre o corpo, mas respirava com dificuldade, estava desesperada para ser tocada naquela área, agora completamente encharcada.
- Você está me enlouquecendo – foi a única coisa que conseguiu dizer.
Ana sorriu e desceu para a parte do corpo da loira que mais clamava por sua atenção e toque.
Não usou as mãos. Quando sua boca cobriu o sexo de Helena e a língua ágil começou a roçar o pequeno órgão intumescido, a loira gozou quase que imediatamente.
- Ana! – sussurrou entre as contrações.
Helena abraçou-a como se sua vida dependesse daquele abraço. Chorou. Jamais se sentira tão completa e tão unida a outro ser humano. Não imaginava que duas pessoas pudessem compartilhar tanta intimidade. Era uma com Ana.
Abraçada à morena, esperou que seu corpo se acalmasse. Queria retribuir tanto prazer, mas queria estar inteira para fazê-lo.
Sem tirar os olhos do rosto de Ana, que também lhe tinha os olhos fitos, moveu seu corpo de modo a ficar por cima da morena. Ana estava trêmula em antecipação.
Helena, então, chegou seus lábios junto aos de Ana. Sua língua entrou na boca da morena. Não tinha pressa. Concentrou-se totalmente no que estava fazendo.
Enquanto a beijava, Helena começou a traçar com uma das mãos, uma linha imaginária pela lateral do corpo de Ana, começando pelos quadris, subindo pelas costelas até o seio. Ana tremia sob seu toque.
Moveu os lábios pelo pescoço até a orelha da morena. Estava deslumbrada pela maciez e lisura da pele.
- Você me deixa louca, Ana – sussurrou no ouvido da morena.
Então foi descendo a boca até os ombros de Ana. Uma das mãos sustentava o peso do próprio corpo e a outra passeava pelo corpo de Ana. Ajeitou o corpo de modo que seu rosto estava agora por sobre o seio esquerdo de Ana.
A mão esquerda tinha descido por entre as coxas de Ana e Helena a provocava movendo-a entre as pernas, tocando de leve os pelos púbicos. A morena instintivamente abriu as pernas para recebê-la. Estava em desespero, consumia-se de tesão.
- Também sei provocar – sussurrou Helena com um sorriso maldoso.
Helena plantou pequenos beijos próximos ao mamilo e finalmente lambeu-o de leve. Ao mesmo tempo, sua mão roçou de leve a entrada do sexo de Ana fazendo a morena engasgar. Os dois gestos coordenados estavam levando-a à loucura.
- Helena! – Ana estava desesperada por alívio.
A loira, então, capturou o mamilo entre seus lábios, chupando-o com vontade. E o carinho entre as coxas de Ana tornou-se mais veemente. Helena finalmente a penetrou com dois dedos. Ana gemeu e começou a mover o corpo de modo a ter mais dos dedos de Helena dentro de si.
A mão da loira gentilmente entrava e saía de Ana e no caminho de volta, Helena acariciava-lhe o clitóris. Percebeu que Ana não resistiria por muito mais tempo; deixou o seio e foi descendo o rosto. Ajeitou o corpo na cama e com seus dedos ainda dentro de Ana, passou a língua pelo pequeno órgão teso. Começou a lambê-lo enquanto a mão continuava com o seu ritmo. A outra mão procurou a de Ana e os dedos entrelaçaram-se.
E Ana entregou-se ao orgasmo inevitável, as sensações espalhando-se pelo corpo todo. Helena continuou a estimulá-la com os dedos, mas aproximou-se do seu rosto, fitou-lhe os olhos enquanto esta ainda sentia o titilar das sensações do gozo e lhe disse baixinho:
- Eu te amo, Ana – e beijou-lhe os lábios em seguida.
Adormeceram nuas, abraçadas uma à outra.
*****
Por volta das oito da noite, as duas estavam próximas à porta da sala do apartamento de Ana tentando se despedir há pelo menos uns dez minutos. Mas não conseguiam se separar. Ainda se beijavam. Helena tocava os seios de Ana por baixo da camiseta.
- Hmmm... Volta pra cama comigo – pediu Ana.
- Eu não posso – continuou a beijá-la. – Tenho que ir. [João vai ligar.]
Mas não se mexeu. Nem parou o que estava fazendo com a língua na boca de Ana.
- Hmmm... Não... consigo... parar...
Mas alguns segundos depois, parou. E de repente. Tirou as mãos de dentro da blusa de Ana, empurrou-a contra a parede, colando seu corpo ao da morena. Respirava pesadamente, com o coração acelerado. Olhou-a nos olhos e disse exasperada:
- Meu Deus, Ana! Eu não consigo me controlar! O que você fez comigo?
Ana apenas sorriu. Estava na mesma situação.