João estava visivelmente nervoso. A conversa de Oliveira não estava lhe agradando em nada. O policial tinha ligado logo no início da manhã para saber se João poderia encontrá-lo durante meia hora. João ficou curioso. Deu um jeito de encaixá-lo no fim da manhã.
- Eu também sou suspeito, é isso? – perguntou sem conseguir esconder o nervosismo.
Oliveira estava calmo.
- Veja bem, Sr. João, estou apenas lhe perguntando o que estava fazendo na noite do dia 14, o dia em que Helena sofreu um atentado.
- Eu nem me lembro! – disse João exasperado. – Foi o que? Uma quinta? – perguntou checando um calendário sobre a mesa.
- Sim, era quinta-feira.
- Eu não sei... acho que eu fui para o bar.
- O bar onde Ana trabalha?
- Sim... onde mais?
- E o que fez?
- Sei lá... fiquei lá conversando com uns amigos.
- A que horas deixou o bar?
- Não me lembro. Meia noite, uma hora... não sei mesmo.
- Mas lembra-se de ter saído antes de Helena?
- Não. Foi depois. Eu a vi saindo com uma garota.
- Há alguém que possa confirmar sua história?
- Sim, as pessoas que estavam comigo. Amigos.
- Poderia me passar alguns telefones mais tarde?
- Claro...
- Mas... você poderia ter saído um pouquinho antes e tentado alguma coisa...
- Isso é ridículo! Eu não fiz nada disso!
- Não é tão ridículo assim. Veja bem, você poderia ter saído e ninguém teria notado. As pessoas saem e voltam o tempo todo. Vão ao banheiro, vão pegar outra bebida...
- Mas e o carro? Não checou o carro? Não é o meu!
- Sim, mas poderia ter alugado ou emprestado um.
- Já que acha que fui eu – João estava irritado – porque não me prende?
- Sr. João... – Oliveira manteve a calma – estou apenas checando possibilidades.
João estava bufando. Decidiu ficar quieto ou iria se complicar.
Oliveira continuou:
- Tenho uma outra questão para tratar com o senhor.
O investigador estava estudando cuidadosamente a reação de João.
- Sua família... – começou o policial – é originalmente de São Paulo?
- Sim, porque?
- Toda ela?
- A família da minha mãe é daqui mesmo de São Paulo.
- E a do seu pai?
- A do meu pai é de Santo Inácio.
Oliveira sorriu. [Bingo!]