Na noite seguinte, houve o jantar de noivado de Duda e Flávio. Foi uma recepção pequena para alguns amigos mais próximos e a família. O casal celebrou o noivado num restaurante de comida grega, fechado para a ocasião.
Não foi um evento muito formal e o número não muito grande de convidados contribuiu para que todos ficassem à vontade.
Quando Ana chegou acompanhada de João, Helena já estava lá. O fato de a morena estar acompanhada pelo ex-noivo da loira não causou estranheza; todos sabiam que João e Ana eram amigos bem próximos. Mas Helena começou a achar que os dois estavam gastando muito tempo juntos. E tal proximidade começou a incomodá-la. Lembrou-se do comentário de Aline quando tinha visto os dois juntos no bar outro dia: “Ele está a fim dela”. Não gostou.
O jantar foi servido. João e Ana sentaram-se um ao lado do outro. Helena evitou sentar-se perto dos dois, mas deu um jeito de mantê-los sob sua vista. Durante o jantar tentou relaxar e curtir a conversa com os parentes e alguns amigos na sua mesa. No entanto, não conseguia tirar os olhos dos dois.
Observou, incomodada, que João estava realmente encantado com Ana. O olhar apaixonado era inconfundível.
[Aline estava certa.]
Ele era todo cuidados com a morena. Ouvia-lhe a conversa com atenção, riam juntos das pequenas coisas, trocavam olhares.
Ana, por sua vez, estava tentando ser cuidadosa; não queria provocá-lo. Estava apenas tentando agir como a amiga. Gostava demais da companhia de João. Ele era inteligente, engraçado, extremamente gentil e cuidadoso com ela. E ela sabia que se sentia atraída por ele.
[Eu até que poderia me apaixonar por ele, se não estivesse tão perdidamente apaixonada por ela.]
Ela... Helena. Ana olhou para a mesa onde ela estava. A loira estava absolutamente irresistível naquela noite. Como sempre.
Ana suspirou. Estava fazendo um esforço sobre-humano para não encarar a loira. E estava conseguindo. [Deus sabe como!]
Mas seus olhos teimavam em buscar o olhar da loira e algumas vezes não conseguiu evitar de cruzar o com aqueles olhos verdes. Cada vez que isso acontecia, seu coração parecia querer saltar do peito. E nas poucas vezes que Helena lhe sorriu de volta – um sorriso discreto, contido, mas que dizia tanto – Ana sentiu que o chão lhe fugia aos seus pés.
[Eu adoro essa mulher. E nunca ninguém vai me fazer sentir desse jeito.]
Voltou a concentrar-se no que lhe dizia João. Sorriu. Gostava tanto dele. Mas estava difícil prestar atenção na conversa.
Olhou discretamente para Helena, que agora parecia engajada numa conversa séria com uma de suas primas.
[Linda!]
João continuou a conversar. Fez-lhe uma pergunta que ela não ouviu.
Ana desculpou-se. Ele repetiu a pergunta e ela respondeu.
Ele percebeu que ela estava distraída.
- Acho que está quente aqui – ela disse – preciso de um pouco de ar.
Pediu licença para ir ao banheiro. Levantou-se e saiu.
Ana apoiou as duas mãos na pia. Abaixou a cabeça e ficou ali de olhos fechados tentando recuperar o controle dos seus sentidos. Não conseguia relaxar.
A porta do banheiro se abriu. [É ela!]
Virou-se. Era mesmo Helena.
Helena não queria conversar. Chegou perto de Ana e gentilmente colocou a palma da mão sobre o rosto dela. Desceu a mão pela nuca, por baixo dos cabelos. A morena fechou os olhos. Sentia-se dominada pela presença de Helena.
A loira fitava-a atentamente. Passou o polegar sobre os lábios de Ana.
Então inclinou-se e a beijou.