Helena sentia-se igualmente triste. Sentia uma falta danada de Ana e estava totalmente impotente. Tudo o que podia fazer era esperar que Ana fosse embora. Em meio a tanta tristeza e carência, encontrou em Aline uma amiga em quem achava que podia confiar. Sentiu-se aliviada depois de ter lhe contado sua história com Ana.
Aline, apaixonada pela loira, agarrou-se a cada oportunidade de estar com ela. Era uma ouvinte atenta e mostrava-se prestativa. Tinham muito em comum e – com seu senso de humor – sempre conseguia arrancar risadas da loira. Helena gostava da companhia. Principalmente porque podia falar sobre seu grande amor com ela. Evitava pensar que estava alimentando a paixão de Aline e que não lhe correspondia os sentimentos. [Ela sabe que é Ana quem eu amo. Não estou enganando ninguém.]
No fundo, sabia que devia afastar-se da garota. Era egoísmo seu mantê-la ao seu lado para sentir-se melhor. Mas estava se acostumando à companhia e, de certo modo, ficando dependente de Aline.
Aline, por sua vez, adorava a companhia de Helena. Estava cada vez mais fascinada pela loira. Também evitava pensar que quase tudo o que saía da boca de Helena dizia respeito a uma certa morena que tocava violão. Sentia-se incomodada, mas tentava se convencer de que Helena podia mudar de idéia.
Mas o que realmente as aproximou foi um incidente que aconteceu na noite do dia em que as duas saíram para correr pela primeira vez.
As duas encontraram-se no bar à noite. Não tinham combinado nada, mas Aline desconfiava que a loira iria ao bar para ver Ana tocar e decidiu ir também. Acabaram se encontrando e, como Helena estava sozinha numa das mesas, convidou Aline para juntar-se a ela.
Quando decidiram ir embora, Aline resolveu acompanhá-la.
Saíam do bar. Entretidas com a conversa, as duas dirigiam-se ao estacionamento, onde tinham deixado seus carros. Aline vinha mais atrás. Helena atravessou a rua primeiro, conversando animadamente com Aline. Riam de alguma história engraçada.
Foi Aline quem primeiro viu o carro vindo a toda velocidade na direção da loira. Num gesto rápido e puramente instintivo, correu para cima da loira e empurrou-a para o outro lado da rua a salvo do carro. As duas caíram na calçada à frente, assustadas e com o coração aos pulos.
- Helena! – disse Aline olhando na direção do carro que agora desaparecia no final da rua – Aquele filho da puta tentou te matar!
*****
Naquela noite, apesar dos protestos da loira, Aline acompanhou-a até seu apartamento. Não queria deixá-la só.
Aline subiu ao apartamento da loira e depois de uma longa conversa e mais uma cerveja, Helena finalmente convenceu-a a ir embora.
Mas no dia seguinte, Aline ligou logo cedo para certificar-se de que tudo estava bem. Estava genuinamente preocupada com a loira.
Mas também percebeu que esta era sua chance de passar a ficar mais próxima do objeto de sua paixão. Tinha que aproveitar.
E foi exatamente o que fez.