Júnior estava se divertindo muito. Tinha levado Ana a um restaurante. A morena quis ir embora logo depois do jantar, mas Júnior conseguiu convencê-la a ir dançar. Estavam num barzinho e Ana, embora se esforçasse por se divertir, parecia um pouco distante. Ele resolveu não perguntar o que a preocupava. Sua estratégia para conquistar a morena era fazê-la curtir sua companhia. Queria ser agradável, fazê-la rir. Isso implicava em não falar de coisas desagradáveis.
- É um programa de antropologia – explicou Ana – e eu estou tentada a me concentrar em alguma área do Brasil. Ainda não decidi.
Ela parou de falar. Sorriu e disse:
- E este assunto deve ser a coisa mais chata do mundo pra você.
Desta vez foi ele quem sorriu:
- Tudo o que te diz respeito me interessa, Ana.
Ana ficou sem jeito com o comentário.
- Júnior... o que você quer de mim?
- Não está na cara? – ele riu pra descontrair – Quer uma carta de intenções?
Ana riu.
- Olha – ela disse – eu... eu não estou exatamente... solteira.
Ele ficou em silêncio. Já esperava por isso. Mas não planejava desistir.
- Não tenho chance nenhuma? – perguntou.
- Júnior, minha vida tá meio enrolada agora. [Não posso explicar exatamente como.] E além disso eu estou de mudança...
[Ótimo! Ela não disse não.]
- Tudo bem – não quis insistir no assunto. Olhou-a nos olhos. Quando Ana olhou de volta, ele sentiu seu coração acelerar. E assustou-se com a reação.
- Quer dançar comigo, Ana? – perguntou baixinho. [Estou me apaixonando por essa mulher.]
Ela sorriu.
- Claro.
*****
Nos dias que se seguiram, Ana decidiu que iria descobrir o que exatamente Helena estava escondendo. Sabia que a loira estava mentindo sobre a história do dossiê e os encontros com Oliveira. Mas queria saber até onde ia a mentira de Helena. Depois de vê-la correndo com Aline, ficou curiosa para saber se havia algo entre as duas. Desconfiava que sim. [Isto explicaria a atitude dela comigo.]
Tinha sido ingênua demais. Confiara em Helena e a loira traíra sua confiança. Decidiu segui-la a fim de descobrir a verdade. Mas primeiro, precisava saber se ela mesma não estava sendo seguida.
Não foi difícil perceber que de fato estava sendo seguida. Descobriu que havia um carro que ficava sempre estacionado a alguns metros da casa dos Chagas; sempre com dois ou mais ocupantes. Eles mudavam sempre de lugar e eram muito discretos, mas Ana acabou descobrindo que eles estavam ali por sua causa. Primeiro, fez algumas experiências – saiu a pé algumas vezes e saiu com o carro algumas outras vezes só para testar sua teoria. Estava certa. Os homens sempre a seguiam. Engraçado, não sentiu medo. Pelo contrário, sua descoberta deixou-a com mais coragem. Afinal, eles não sabiam que ela sabia que a estavam seguindo.
Ana, sabendo que a seguiriam, começou a descobrir maneiras de despistá-los. E logo viu que não era tão difícil assim escapar deles. Eles acabavam perdendo-a de vista. Esperava que isso acontecesse e ia atrás de Helena. Era importante que não a seguissem porque queria preservar a loira.
Acabou descobrindo que Aline e a loira estavam realmente passando bastante tempo juntas. Primeiro, descobriu que a corrida matinal era uma rotina entre as duas. Fez questão de ir ao apartamento da loira pela manhã durante uma semana e descobriu que Aline ia ao apartamento da loira e as duas saíam para correr juntas.
Ana tentou controlar o ciúme. Quando as viu juntas pela segunda vez, teve um acesso de raiva e quis ir até lá tirar satisfações. Mas precisava descobrir o que a loira estava tramando e ter um ataque de ciúmes, confrontando-a agora não ajudaria. Respirou fundo. Esfriou a cabeça e continuou a vigiar os passos da loira de longe, sem que a vissem.
Descobriu também que as duas estavam se encontrando no bar com freqüência. Não chegavam juntas. Mas Ana sempre as via conversando uma com a outra.
Ficou triste com a atitude da loira. Helena estava mentindo pra ela nisso também. [Está tendo um caso com aquela garota. Tenho certeza.]