13 janeiro 2007

Capitulo LXXI

- A primeira coisa que a gente tem que fazer é descobrir qual é exatamente o conteúdo desse dossiê – sugeriu João.
Ana e ele conversavam no escritório de uma das suas lojas.
- Eu nem tenho certeza se ela ficou com uma cópia – disse Ana.
- Deve ter ficado, Ana. A Helena é bem esperta.
- Mas como a gente vai ter acesso a esses papéis?
- Pergunta pra ela, ela não vai recusar.
- Não, não vai... Mas vai ficar desconfiada. E pelo menos por enquanto, eu não quero que ela saiba o que a gente tá fazendo.
- Falou com ela hoje?
- Não.
- Você parece irritada com ela...
[Estou furiosa. Mas não posso te dizer porque.]
- Helena não está sendo honesta comigo, João.
[Hipócrita, nem você está sendo com ele.]
- Ana... tenho certeza de que Helena está fazendo isso pra te proteger.
- É... pode ser.

*****

- Helena, Ana me ligou hoje – disse Duda ao telefone. – Queria saber se você tem conversado comigo.
- O que ela perguntou?
- Não citou os documentos diretamente, mas ficou tentando saber se você mencionou alguma coisa pra mim.
- O que você falou? – Helena quis saber.
- Não disse nada. Eu te prometi, lembra? – Duda respirou fundo – Mas não estou gostando nada disso. Ela merece saber a verdade, Helena. Quero contar.
- Não, Duda! – Helena ficou preocupada – Ela está quase viajando. Só mais um mês e ela vai estar segura longe daqui. Agüenta mais um pouco.
Duda não estava gostando nada daquilo.
- E quanto à segurança dela, Helena?
- Não se preocupe, tem alguém vigiando ela o tempo todo.
- Da polícia?
- Não. Uns caras que eu contratei.
- Isso é inacreditável! Você fez mesmo isso?
- Fiz. Não posso arriscar a vida dela.
- E como se contrata esse tipo de coisa?
- Me foram indicados por um policial.
- Parece coisa de filme...
Duda ficou em silêncio e então perguntou:
- E quanto a você? Quem está te protegendo?
- Eu me viro, Duda. O mais importante é que Ana esteja segura.
- Ela também perguntou sobre sua nova amiguinha, a Aline – disse Duda.
- Hmmm...
- Ela tentou disfarçar mas está com ciúmes.
- Que besteira... Aline é só uma amiga.
- E essa garota pensa assim também?
- Duda, ela sabe que é Ana quem eu amo.

*****

- Sabe, eu conversei com a Duda hoje – disse Ana.
- E...? – João perguntou.
Ana franziu a testa.
- Ela tava esquisita, João. Eu acho que tá me escondendo alguma coisa também.
João colocou a mão no ombro de Ana.
- Ana, eu estou muito preocupado com a sua segurança.
Ana deu um sorriso nervoso e colocou os braços em torno de si mesma, como se quisesse se proteger.
- Eu confesso que não me sinto muito à vontade quando penso que alguém quer me dar outra surra – disse.
- Você tem certeza de que não estão te seguindo mais?
- Não, não tenho. Talvez estejam, sei lá. Mas se continuam atrás de mim, estão sendo mais cuidadosos. Não vi mais ninguém.
Ficou em silêncio. Então disse:
- Estou com medo, João.
Ele chegou mais perto e abraçou-a.
- Eu vou cuidar de você, Ana.
Ficaram abraçados por uns poucos segundos. Ana podia sentir o coração dele acelerado no peito.
Sentiu-se bem com o abraço. Bem demais.
Estava entrando em terreno perigoso.
Afastou-se.

*****

Júnior tinha aparecido na casa dos Chagas no fim da tarde. Queria ver se Ana toparia assistir um filme ou sair para comer alguma coisa com ele. Leonora veio recebê-lo.
Conversaram durante alguns minutos na cozinha.
- Ana deve chegar a qualquer minuto, Júnior – avisou Leonora – Helena também está esperando por ela.
- Helena está aqui? – ele perguntou.
- Deve estar na sala de televisão.

Quando Júnior entrou na pequena sala, encontrou Helena dormindo com a tevê ligada. O celular de Helena estava sobre a mesa.
Ele não pensou duas vezes: certificou-se de que a loira dormia e pegou o pequeno aparelho.
Não sabia exatamente o que estava procurando. Mas já tinha aprendido que informação é algo valioso.

Verificou os números para quem a loira tinha ligado ultimamente; alguns identificados, outros não.
Ficou satisfeito mesmo foi com a descoberta de uma mensagem que Helena recebera cerca de um mês atrás:
“Também te amo muito, Helena.
A.”

[Então esse lance com a garota é mais antigo do que eu pensava. Não sei como, mas essa informação vai me ser útil no futuro.]

Recolocou o celular sobre a mesa e saiu sem ser notado. A loira dormia profundamente.

*****

Quando Ana voltou para a casa dos Chagas no fim da tarde, encontrou Júnior na cozinha numa conversa animada com Leonora.
- Vim te ver – ele disse, sorrindo.
- Veio nada. – Ana respondeu sorrindo de volta – Veio comer a comida de Leonora.
Ana cumprimentou os dois.
- Vou tomar um banho e já volto – disse.
- Não vou a lugar nenhum sem você – ele respondeu.
[Que papo mole você tem, Júnior.]