07 janeiro 2007

Capitulo LXVIII

Helena nada disse a Júnior. Apenas ficou pensativa. [Mundo pequeno, esse. Bom... mas Santo Inácio é uma cidade grande.]
Seu primo despediu-se e ela voltou a atenção para o palco.

Aline observava-a com atenção. Sabia que havia algo errado com ela e pelos olhares que a loira lançava para a violonista, sabia exatamente qual era a fonte de tanta inquietação.
- Porque vocês não estão juntas? – arriscou perguntar. [Hmmm, ela vai me dar uma cortada.]
Helena ficou surpresa. Sorriu um sorriso triste.
- Longa história – disse.
Aline decidiu que era sua chance de fazer a loira se abrir.
- Eu tenho tempo – respondeu.
Helena sentiu uma vontade enorme de falar com ela sobre Ana. Sentia falta da morena e queria desesperadamente desabafar com alguém. Com qualquer pessoa. Olhou para a garota à sua frente. Aline inspirava confiança.
[Hmmm... não preciso contar tudo.]

O bar foi se esvaziando. Lá pelas tantas, depois de uma longa conversa que não passou despercebida de Ana, Helena e Aline foram embora. Mais tarde, João também deixou o bar e, antes da última sessão do grupo, Ana avisou Luís que iria para casa. Ele então despediu-se dela e também foi embora.

*****

Ana acordou mais cedo no dia seguinte, tinha um dia cheio pela frente. Daria entrada no pedido de visto. Ansiosa, saiu logo de casa.
O compromisso acabou tomando-lhe a manhã toda e, por volta da uma da tarde, decidiu comer alguma coisa. Havia vários restaurantes naquela região da cidade. Estacionou o carro e saiu a pé procurando por um lugar para almoçar. Passou por dois restaurantes e não gostou dos preços. Andou mais um pouco; avistou um terceiro e entrou.
A cena que viu deixou-a perplexa.
Helena e o investigador Oliveira almoçavam juntos numa das mesas.

*****

O rapaz entrou na sala da Dra. Vera Queiroz. Ela lia algo na tela do computador à sua frente. Voltou-se para a secretária, que o conduzira, e avisou que não receberia ninguém por hora. A moça retirou-se e fechou a porta atrás de si. Dra. Vera, então, voltou ao que estava fazendo.
Ele não pareceu incomodar-se. Sentou-se numa das cadeiras estofadas do escritório luxuoso e ficou a observá-la trabalhando. Ela não era muito alta. Vestia um tailleur preto de corte bem clássico. O cabelo loiro, impecavelmente penteado, estava preso para atrás com uma presilha preta. Ela usava maquiagem leve e um colar que combinava com os brincos; tudo muito discreto.

Ela não disse nada. Mas pelo seu semblante, ele percebeu que estava irritada. Eventualmente iria sobrar pra ele.
Mas não sentia-se intimidado. Todos a temiam, mas não ele.

Dra. Vera terminou o que estava fazendo e finalmente olhou para ele.
- E agora? – perguntou apoiando os cotovelos sobre a mesa e cruzando os dedos.
- Eu imaginei que ela não tivesse nada em casa – respondeu o rapaz – mas nós tínhamos que checar.
- Acha mesmo que ela fez cópias?
- Eu não tenho certeza – ele respirou fundo – Mas... a vi conversando com o policial.
Dra. Vera encostou-se na cadeira de couro e fechou os olhos.
- Merda! Então eu estava certa! – disse em voz alta.
Ele não respondeu. Já a conhecia há bastante tempo e tinha aprendido que quanto menos falasse melhor seria.
A mulher levantou-se e aproximou-se da janela.
- Nós estamos demorando muito pra resolver isso – disse voltando-se para ele.
- Até agora nós a tínhamos sob controle – ele lembrou. – Mas agora não conseguimos mais chegar perto da morena.
- Do que é que você está falando? – ela disse andando em sua direção.
Aproximou-se dele por trás e pôs as mãos nos seus ombros.
- Se alguém pode ter acesso a ela, – disse-lhe perto do ouvido – essa pessoa é você.
- Mas tenho que ir devagar.
- E a loira? Também tem alguém cuidando dela?
Ele sorriu.
- Não.
- Então você sabe o que fazer... – ela disse.
Ele não respondeu. Então Dra. Vera continuou:
- Mas não demore tanto. Estamos nessa confusão porque você demorou a agir.
- Eu não tinha como saber que ele já tinha enviado os papéis – ele defendeu-se.
- Agora não adianta mais falar sobre o que aconteceu.
Então começou a fazer uma massagem nos ombros dele.
- E aquele desgraçado teve o que merecia – disse ela séria.